Artigos - Dar limites as crianças é o mesmo que ser repressor?

Nunca foi tão importante repensar o modelo de educação que estamos oferecendo as nossas crianças e jovens. O aumento da violência nos grandes centros urbanos tem a ver, cada vez menos, com problemas de fome ou miséria. Surgiu um novo tipo de delinqüente proveniente de classes sociais mais abastadas.

Este tipo de delinqüente costuma freqüentar escola, clubes, tem livre acesso a sociedade de modo geral, sabe ter bons modos – quando lhe é conveniente – e veste-se bem. Podemos pensar, porque um jovem como este se meteria em encrencas que poderiam resultar até mesmo na morte de pessoas – lembram do caso do índio incendiado e morto em Brasília por um grupo de jovens de famílias abastadas?

Temos hoje um novo tipo de educação que prima pela falta de limites à criança. Cada vez mais ouço de pais desesperados com o comportamento fora de controle de seus filhos: ‘como posso dizer não para ele?’ O mais impressionante é assistir a estes pais se referindo aos filhos como se estes fossem os reais manda-chuvas dentro de casa. E o pior é que em muitas famílias os filhos mandam mesmo muito mais que os pais. Crianças na faixa etária a partir dos 3 anos determinando aos pais o que vão comer, vestir, fazer, horários, etc.

A psicologia, de modo geral, tem uma parcela de responsabilidade nesta história toda. A partir do início deste século, muito se escreveu sobre maus tratos a crianças e suas conseqüências quando estas cresciam. Nos anos sessenta, proliferou uma série de teorias a respeito da forma ideal de como educar filhos. A base destas teorias tomou como referência os maus tratos e a ‘castração’ (termo usado na psicologia para dizer que o sujeito não fez o que queria) de desejos e sonhos da criança. Logo, naquela época o importante era permitir que a criança fizesse tudo o que desejasse, sem que lhe fosse imposto qualquer tipo de limite.

A intenção daquelas idéias era totalmente positiva: educar seres humanos para que se tornassem adultos mais saudáveis e afetivamente competentes. O problema é que se adotou um sistema inverso ao que se tinha até então. Saímos de um sistema ultra-rígido de educação para um sistema sem parâmetros para os adultos, onde a criança é que determinaria aos pais o que fazer.

Crianças pequenas precisam receber paulatinamente, conjuntos de regras que lhe viabilizem aprender a como se locomover dentro da sociedade. Estas regras precisam ser oferecidas dentro da capacidade neurológica e psicológica da faixa etária da criança. Toda vez que um adulto exige da criança um comportamento, habilidade ou tomada de decisões que estejam acima da capacidade da criança provoca problemas que se manifestarão no futuro. Muitos deles de ordem emocional e comportamental.

Não estamos com isto exigindo a volta de um sistema ultra-rígido. Nem pensar. Por outro lado, já é hora de avaliar as conseqüências deste tipo de educação onde é a criança quem decide sem ter capacidade para isto. Quem sabe encontrar um meio termo? Oferecer a possibilidade de tomar decisões dentro da maturidade dela. Oferecer também, um conjunto de regras a serem seguidas com maior rigidez, a fim de que ela aprenda as regras sociais que poderão auxiliar-lhe na construção de sua personalidade.

É bobagem pensar que criança não precisa de limite. Ou que criança já nasce sabendo a respeito do que é limite. Criança aprende absolutamente tudo com os pais e a sociedade. Por tanto, o resultado da educação recebida é o que observamos no comportamento de cada criança.

Se você tem algum tipo de problema neste contexto, ou seja, se você não sabe como dar limites adequados a seu filho procure hoje a ajuda de um orientador, terapeuta ou alguém com mais experiência que você. Relate o problema e ouça com atenção as dicas de quem tem mais sabedoria. Às vezes, a solução para o problema pode ser uma pequena dica.

Lembre sempre: criança só sente segurança quando convive num meio com regras simples e eficientes. Um contexto onde possa criar, fantasiar, brincar, divertir-se e descobrir quem ela é. 

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



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