Artigos - Depressão: o mal do século

A depressão foi considerada pela Organização Mundial de Saúde, a doença do século. Num mercado que movimenta anualmente bilhões de dólares só com a venda de medicamentos, a depressão foi uma das doenças que mais proporcionou lucro neste mercado. No campo da medicina, muito se avançou nas pesquisas de novos medicamentos e hoje, temos uma nova geração de remédios mais específicos e com menos efeitos colaterais. 

 O problema que se apresenta é que nenhum medicamento cura a depressão. O remédio tem como principal objetivo diminuir a dor emocional e física que a depressão provoca. Se a depressão do paciente for circunstancial, como a perda de uma pessoa querida, depressão pós-parto ou hipotireoidismo, a medicação com seu efeito anestesiante permite mais conforto durante um certo tempo, em outras palavras, até que o foco do problema seja resolvido. Geralmente um par de meses é mais do que suficiente, mesmo para os portadores de hipotireoidismo. Uma vez estabilizada a glândula tireóide, os sintomas da depressão vão embora.

Um grupo de neurologistas, psicólogos, psiquiatras e pedagogos cognitivistas norte-americanos e ingleses, apontaram, após estudos realizados, uma nova possibilidade de tratamento definitivo para a depressão. A estrutura do tratamento é relativamente simples permitindo que profissionais da área da saúde aprendam com rapidez as técnicas desenvolvidas. O tratamento poderá tornar-se mais complexo dependendo do histórico do paciente.

O tratamento está baseado na constatação dos pesquisadores de que a principal característica dos depressivos é a perda de objetivos. Até aí choveu no molhado, pode estar pensando algum leitor. O fato é que pela primeira vez, desenvolveu-se um tratamento baseado nesta característica, e não apenas na dor emocional, para onde os fármacos estão direcionados.

Nesta nova modalidade de tratamento, o paciente recebe a medicação exata para deixar de sofrer. Ao mesmo tempo, recebe acompanhamento psicoterápico onde re-aprende a determinar objetivos que o mantenham dentro de um estado permanente de motivação e alegria para a vida.

Findo o tratamento, finda também o uso de quaisquer medicamentos.

Esta característica, respeito à dificuldade de propor objetivos, nunca havia sido devidamente estudada. O fato é que todo paciente sai do estado depressivo toda vez que lhe é oferecido algum objetivo. A esta característica soma-se outra: uma vez alcançado, não consegue estipular um novo objetivo por conta própria, e ele retorna ao quadro da depressão. Surgiu daí, a hipótese de que a raiz do problema estaria na área comportamental da pessoa. Como se um programa interno tivesse sido corrompido por alguma circunstância qualquer, e o mesmo deixou de funcionar adequadamente. 

O tratamento é na verdade um treinamento para a vida. Se é certo que todo depressivo tem facilidade de evocar constantemente experiências passadas negativas – e isto o mantém mastigando sensações horrorosas a respeito de si e dos outros – não parece óbvio que ele precise aprender a redirecionar sua atitude mental para outro lado? O futuro por exemplo. Um futuro possível de ser criado e realizado. Pensar constantemente em novas metas nas quais ele se perceba valorizado e útil para si e para a comunidade.

A vida só tem sentido se for exercida plenamente e gostosamente. É isto que todo depressivo necessita re-aprender. 

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



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