Artigos - Insatisfação tem cura

Feliz ou infelizmente para alguns, a insatisfação não tem cura. Isto vale dizer que somos insatisfeitos por natureza. Esta é uma característica de todo ser humano: sempre estamos querendo ou desejando algo mais.

Boa parte das pessoas cria uma ilusão de que adquirir certas coisas é sinônimo de satisfação e alegria. Na verdade, pouco tempo depois de conseguirmos o que queríamos nosso sistema psíquico invade nossa alma trazendo um vazio enorme que chamamos de ‘vazio existencial’. Sentir este vazio após atingir objetivos é normal e esperado. Quanto tempo você precisa para se acostumar com a compra de um carro novo? Em poucas semanas o fascínio do primeiro dia dá lugar a uma sensação de lugar comum. Em pouco tempo você já começa a olhar propagandas de revistas e a desejar um carro mais completo ou confortável.

Isto é uma regra dentro do marketing e propaganda. Baseado neste pressuposto da insatisfação é que orbita todo o comércio mundial.

Não importa o objetivo que coloquemos diante de nós, a compra de uma casa, roupas, viagem ou até mesmo um novo relacionamento. No final você estará sempre insatisfeito querendo algo mais.

A mente das pessoas está sempre buscando assuntos interessantes com o objetivo de preencher a vida delas com coisas estimulantes e excitantes o suficiente para motiva-las. Caso contrário, nossa vida seria por demais aborrecida. A monotonia é um exemplo disso. Quando não temos a menor expectativa do que fazer, atingir ou construir todo o nosso sistema psíquico e corporal começa a deprimir. Dizemos que o ambiente ou o dia está ‘chato’. É por isso que a mente está sempre‘fuçando’, curiosa, procurando novidades.

O problema não está na insatisfação em si ou com o vazio existencial, mas sim com o que preenchemos o tal buraco que ela provoca. Algumas pessoas tentam preencher o vazio com comida ou cigarro. Outras comprando compulsivamente. Outras ainda, trocando o tempo todo de relacionamentos. O que há em comum nestas pessoas, é que todas estão à procura de alguma coisa que não sabem bem o que é. Sentem aquele vazio interior e querem rapidamente preenche-lo com a primeira coisa que lhes vier à cabeça. Neste caso, a insatisfação dá lugar a frustração. Não importa o que façam, o que comprem, ou o que conquistem, uma vez que nada é suficiente e tudo perde rapidamente o encanto e o brilho.

Esta forma de preencher o vazio que a insatisfação provoca chamamos de doentio uma vez que conduz o indivíduo a mergulhar cada vez mais num estado de frustração e enfado existencial.

Se estas pessoas percebessem o quanto este estado de insatisfação poderia ser altamente produtivo e gratificante para elas, provavelmente estaríamos rodeados, ou melhor, mergulhados num oceano de pessoas desejosas de estabelecer vínculos cada vez mais intensos e alegres.

Onde está então a falha? Na estratégia de escolha delas. Uma vez que o estado de insatisfação é característico do ser humano, não há como se livrar dele. Faz parte de nossa essência. Isto quer dizer que não existe uma forma de afastar o desejo e o querer.

O detalhe que escapa às pessoas é que a insatisfação sentida não está direcionada a falta de ‘coisas’ mas sim por uma falta de qualidade!Este é o ponto crucial: qualidade! Estamos querendo é mais qualidade e não quantidade ou variedade de objetos. E qualidade você obtém da relação que você estabelece com as coisas, e não com a quantidade de coisas que você obtém.

Pense na qualidade como numa fruta na geladeira. Quando você compra a fruta, ela está nova, cheirosa e saborosa. Com o passar do tempo ela perde o aspecto inicial e devagarzinho degrada-se. Quando adquirimos algo, aos poucos nos acostumamos com o objeto. Podemos nos afeiçoar a ele, mas aos poucos ele começa a fazer parte de um senso comum entre as demais coisas. Você se acostuma com o que conseguiu. Acostumar-se quer dizer que não é mais novidade e que não há mais expectativas com relação ao objeto. Você, neste momento vai a busca de coisas mais estimulantes.

Um adolescente quando cansa de um objeto, um relacionamento, por exemplo, costuma livrar-se dele às pressas. Não percebe que o que está faltando é qualidade na relação com o objeto e não no objeto em si. Quando a qualidade da relação diminui, o que é normal e esperado, a relação começa a esvair-se em meio a monotonias. Isto é apenas um sinal de que está na hora de injetar mais qualidade.

Imagine se as pessoas colocassem diante da insatisfação o desejo de construir bons relacionamentos ou relações mais amorosas plenas em qualidade. A insatisfação induziria o sujeito a ir atrás de relacionamentos cada vez mais construtivos, gratificantes e qualitativos. Uma vez atingido o objetivo, a insatisfação apareceria outra vez para‘avisar’ que está na hora de desejar um algo mais na relação com o objeto.

Posso ser chamado de visionário, romântico ou idealista, mas não posso deixar de desejar para cada ser humano, para você leitor, um poucadinho de qualidade para este ano que inicia. Sim, porque para a maioria de nós o ano começa após o carnaval. Como se o carnaval fosse um momento único de qualidade no ano. Quem dera o espírito do carnaval acompanhasse cada atitude nossa. Sim o espírito da alegria, criatividade, espontaneidade e contentamento. Mas isto já é outra estória. Quem sabe para a semana que vem?

Divirtam-se, com qualidade! 

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



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