Artigos - Porque perdoar é tão complicado?

Quem nunca precisou perdoar alguém? E ser perdoado? Olhe só que coisa complicada: perdoar alguém que não gostamos ou antipatizamos. O perdão sempre foi uma atitude das mais complexas para o ser humano.

Todos os livros santos – inclusive a Bíblia – falam a respeito do perdão, mesmo aqueles escritos a milhares de anos atrás. Todos dizem a mesma coisa, de que o perdão é o ponta-pé inicial para qualquer processo de cura, seja ele corporal, espiritual ou mental. E mesmo assim, muito pouco sabíamos a respeito do como fazer para perdoar. O que eu aprendi na infância, era que precisávamos colocar uma pedra sobre o assunto e fazer de conta que ele nunca existiu. Esquece-lo. Depois de anos e anos tentando fazer o que me disseram sabem o que eu realmente aprendi? É impossível esquecer o passado colocando pedras em cima dele. E isto vale, inclusive, para aquelas circunstâncias ruins vividas com pessoas que eu amava muito – pais, amigos, etc.

Perdoar definitivamente não é colocar pedras em cima de problemas. Perdoar é muito mais do que isto. Perdoar significa compreender o que aconteceu e aprender com a circunstância, de maneira que, se a circunstância ocorrer novamente, você saberá como agir de forma adequada. Em outras palavras, você se tornará uma pessoa mais competente diante do mundo.

Quantas coisas no passado nos metia medo e que hoje rimos quando estamos diante delas?  Quantas circunstâncias nos resultaram em raiva ou mágoa e hoje sabemos contorna-las sem com isso ficarmos brabos ou magoados com as pessoas que tentam nos machucar? Muitas vezes o que acabamos por sentir é dó delas.

Para você perdoar alguém, é preciso fazer três coisas: compreender, aprender e agir.

O primeiro passo para o perdão é você compreender o que aconteceu. Uma das evidências de que esta compreensão aconteceu é que você agora consegue pensar no passado e avaliar o ocorrido imparcialmente. Sem o ressentimento fica muito mais fácil entender os detalhes do que aconteceu sem correr o risco de se colocar na defensiva, achando que o mundo é que está contra nós, ou que o problema esta 100% na outra pessoa. Uma técnica utilizada em larga escala nos consultórios de psicólogos, é conduzir o paciente a responder a seguinte pergunta: ‘o que foi que eu fiz (ou deixei de fazer) que permiti que o outro se comportasse comigo daquela maneira?’  É uma pergunta incômoda de ser respondida, uma vez que o paciente precisa se colocar no papel de responsável pelo que aconteceu. Temos a tendência de responsabilizar apenas os outros pelos ressentimentos que carregamos, afirmando que são os outros os responsáveis pelas dificuldades que vivemos hoje.

Passar a responsabilidade do resultado de nossas vidas para terceiros, nos coloca numa posição de desvantagem diante da vida, porque a partir de então só poderemos ser felizes se os outros mudarem primeiro. Minha felicidade já não depende mais de mim, e sim das pessoas que me cercam. Para ser feliz é o mundo que precisa mudar, e eu não.

Quando aprendemos novos comportamentos que nos habilitam a interagir com o meio com mais adequação e maturidade os ressentimentos se esvaem e desaparecem. Você já fez algum esporte de defesa pessoal? Quando começamos a treinar karate, por exemplo, rapidamente aprendemos golpes que podem mobilizar ou até mesmo fazer desmaiar o oponente. Um dos efeitos desta aprendizagem é que acabamos por ficar mais calmos e confiantes diante de circunstâncias estressantes. Parece coisa de criança, mas é como se disséssemos para nós mesmos que a outra pessoa não vai poder nos bater ou nos machucar porque agora sabemos como mobiliza-la e nos defender adequadamente. Aprendemos a defender nossa integridade física sem depender de terceiros. Esta certeza de auto-proteção nos permite pensar apenas nos fatos comportamentais do que está ocorrendo no momento de tensão, deixando de lado os medos e receios de agressão.

Você quer realmente perdoar? Muito bem, pense no que aconteceu e pergunte-se: ‘se eu pudesse voltar ao passado, e viver novamente aquela circunstância, que novos comportamentos, habilidades ou crenças eu poderia levar comigo de maneira que o resultado seria completamente diferente do que aconteceu?’ Caso você não consiga encontrar novos comportamentos dentro de ti mesmo, imagine uma pessoa mais sábia que você,  agindo em seu lugar naquele momento. O que ela teria feito? O resultado teria sido diferente? É possível você aprender a fazer o mesmo?

Cada um destes comportamentos, habilidades ou crenças você necessitará aplicar em você mesmo. Eles são o seu passaporte para o perdão. Perdoar é aprender a ser mais competente diante dos eventos do dia a dia. Se você não aprende, quando ocorrer outra vez a mesma circunstância você corre um sério risco de repetir o mesmo resultado atrapalhado. E eu sei que você não quer isto.
O segundo passo é tornar-se competente com o aprendizado, ou seja, saber como colocar em prática o que aprendemos. Muitas vezes se faz necessário um instrutor – alguém mais sábio que você – que possa lhe treinar nesta habilidade.

O terceiro passo é o mais simples: o agir.  Uma vez que já sabemos o que fazer e como colocar em prática o que aprendemos basta agir.

Divirtam-se perdoando as pessoas que vocês amam!

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



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