Artigos - Porque sentimos o medo?

Quem nunca sentiu um medinho sequer na vida? Se você respondeu que nunca sentiu medo, você é um sério candidato a E.T. do ano. Mesmo os grandes machões sentem e/ou já sentiram medo alguma vez.S

Sentir medo é normal e esperado em pessoas normais. É uma reação da mente todas as vezes que estamos diante de situações onde fantasiamos algum tipo de conseqüência negativa que possa atingir nossa integridade mental, afetiva, corporal ou espiritual.

O medo é uma espécie – rara – de sinal que nos avisa de que estamos diante de uma situação que não sabemos como lidar. Quando você aprende a lidar com a situação que gera medo, o mesmo desaparece. Você passa a ter uma sensação de competência. Quantas coisas no passado geravam medo em você, e hoje são assuntos corriqueiros?

A dinâmica do medo é uma estrutura relativamente simples. Só sentimos medo de coisas que estão por acontecer. Em outras palavras, o medo está relacionado com expectativas do futuro. Você jamais vai sentir medo de algo que já aconteceu. Lembrar do passado não provoca medo em absolutamente ninguém. É algo impossível de acontecer. Quando alguém diz, ‘tenho medo que aconteça outra vez’, a pessoa está se referindo que tem medo que o evento passado ocorra no futuro. Ela imagina-se passando pelo mesmo evento no futuro. Só então consegue sentir medo. Se ela pensar no que aconteceu, no passado, a sensação que ela terá será de alívio, e não medo.
O ponto chave da estrutura do medo é que ele só ocorre em circunstâncias onde o sujeito não tem comportamentos, habilidades ou crenças que viabilizem resolver a circunstância de maneira adequada. A falta de competência é o que induz as pessoas a sentirem medo. O antídoto para este nosso amigo chama-se sabedoria. A pessoa precisa entender, compreender e tornar-se hábil para resolver problemas. Sem estes requisitos, não há outro jeito se não sentir medo.

Alguns pais tentam ensinar seus filhos a tornar-se mais competentes diante do mundo, colocando-os diante de circunstâncias complexas demais para eles, sem ao menos explicar de forma adequada do que vai acontecer. O resultado é que as crianças passam a ter dificuldades cada vez maiores para enfrentar o mundo. Esta é a base de boa parte dos traumas que os adultos carregam ao longo da vida.

Para provocar medo em alguém, basta induzi-lo a imaginar cenas futuras onde ele esteja impotente diante do que está acontecendo. A reação que ele terá, será a sensação do medo. Um sujeito com medo ou fica paralisado ou foge da situação. Muitas vezes o fugir da situação pode ser até mesmo um avançar para atacar o outro. Isto também se caracteriza por um tipo de fuga, uma vez que a atitude é cega e impensada, como se fosse uma última tentativa de sobrevivência. Movido por medo, o sujeito não sabe o que faz, apenas reage instintivamente aos estímulos. Daí o perigo, pois pode machucar fisicamente a si e a outras pessoas.

Quando contamos histórias de terror para crianças elas ficam estáticas, arregalando os olhos e em seguida saem correndo não conseguindo permanecer no ambiente.
É exatamente por isso que dizemos, quando uma pessoa sente medo ela adota uma postura de expectador. Fica imóvel com a intenção de assistir o que vai acontecer. É uma postura passiva diante dos acontecimentos. No dia a dia, o medo leva as pessoas a se esconderem da própria vida, obrigando-as a assistirem às vitórias e conquistas daqueles que o rodeiam e se frustrando com a própria realidade.

A passividade diante da fantasia faz com que o sujeito acabe sentindo raiva de si e daquilo que o fez sentir medo. Mas isto já é uma outra história. Quem sabe falemos disto na próxima sexta-feira?

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



VOLTAR