Artigos - Só sente raiva quem tem medo

Na semana passada comentamos a respeito da dinâmica do medo e descobrimos que sua raiz é a falta de conhecimento, ou sabedoria. A ignorância sobre o futuro e suas conseqüências nos faz acreditar que estamos de certa forma, impotentes diante de uma possível catástrofe. Este tipo de expectativa faz com que todo nosso sistema psíquico e corporal entre em alerta! O problema do medo em si está na fantasia que criamos, uma vez que julgamos por antecipação que a circunstância será agressora e que não teremos capacidade de autoproteção. Nosso sistema ativa a sensação do medo como um alerta de que não estamos suficientemente preparados para enfrentar a situação.

Caso a fantasia se confirme, de que a circunstância é realmente agressora, o medo não nos permite reagir de forma adequada. O medo altera toda a química de nosso corpo: taquicardia, aumento da freqüência respiratória, ansiedade, suor nas mãos, diminui o foco de visão e prejudica toda a coordenação motora, e como se não bastasse até mesmo nosso julgamento fica comprometido. Diante deste quadro, o sujeito só dispõe de duas possibilidades: sair correndo ou ficar imóvel, estático diante do evento. Sair correndo pode até mesmo ser uma forma precária de defesa. O sujeito pode sair correndo do agressor ou avançar em direção deste.

A raiva é resultante da sensação de impotência diante do objeto agressor. Não podendo reagir acaba por padecer – sofrer – a agressão sem poder fazer nada que resulte ume defesa eficaz. Sentimos raiva porque não conseguimos revidar ou nos defender. E o mais angustiante é que a raiva num primeiro momento é de nós mesmos, pela incompetência diante do fato. Como sentir raiva por si mesmo é algo muito difícil de assimilar e aceitar projetamos a raiva para o agressor, ou aquilo que nos agrediu.

Vale frisar que sentir raiva é normal. Uma vez que é apenas um sinal de que talvez precisemos aprender mais (comportamentos, habilidades ou emoções) a fim de termos uma atitude mais competente diante das pessoas e das circunstâncias. Sentir raiva significa que você não sabe lidar adequadamente e com maturidade com o agente agressor. Ao sentir raiva, nossa mente está dizendo apenas que você é imaturo diante da situação a ser vivida.

Quem sabe o que fazer diante das circunstâncias não sente raiva. Quando éramos crianças sentíamos raiva quando um colega nos puxava o cabelo ou dava um chute em nossas canelas. Hoje, se uma criança pequena se aproxima de nós, com esta intenção, temos a maturidade para perceber tal intenção, e ainda mais, temos a sabedoria de lidar com o evento. Uma dica para lidar com crianças agressivas é, toda vez que ela tiver o comportamento inadequado aplique uma contenção. O que é isto? Nada mais do que coloca-la sentada diante de você. Passe seus braços ao redor dela, segurando os braços da criança com os seus braços (fazendo um X). Preste atenção para deixar a boca da criança longe o suficiente para evitar mordidas. Com a criança sentada nesta posição, é impossível ela atingir quem está dando a contenção com chutes. Diga neste momento para ela, que vocês dois ficarão ali parados até que ela se acalme. Isto pode durar, às vezes, quinze minutos. Ufa! Educar às vezes dá um trabalhão. O lado positivo desta técnica é que o adulto aprende a manejar adequadamente a criança, sem violência, e com isso reorientar o comportamento agressivo dela. De modo geral, as crianças odeiam este procedimento de contenção. E lembrarão duas vezes antes de cometer atitudes agressivas com você. Lembre também, que este procedimento deve ser feito sempre, absolutamente todas as vezes que a criança cometer o comportamento inadequado.

Se você costuma sentir raiva pelo menos três vezes ao dia, talvez esteja na hora de se perguntar: ‘será que não está na hora de me tornar mais competente diante da circunstância que sinto raiva?’

Se você aprender com os eventos do dia a dia, dificilmente contrairá raivas. Se você tiver algum tipo de dificuldade neste procedimento de aprendizagem, procure alguém especializado no assunto. Ele lhe auxiliará a evoluir!

Um abraço,

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



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