Artigos - Vida Após o Casamento

Pois é. Recebi algumas correspondências por e-mail (lbueno@leonardobueno.com.br), perguntando porquê para a maioria das pessoas o encanto do relacionamento quebra após o casamento. É como se os cônjuges entrassem num marasmo conjugal. Agradeço os e-mails em meu nome, e em nome de todos os leitores que já decidiram otimizar e/ou resgatar seus relacionamentos.

Muito do ‘marasmo’ pós-casamento deve-se a um fato cultural que se chama sentimento de posse. Em nossa sociedade casar significa adquirir um bem.  É como comprar uma casa ou um carro. Você adquire a casa e ela passa a ser sua. Ninguém mais pode tira-la de você. Você tem o direito de fazer o que bem entender com sua propriedade. Quebrar, colocar abaixo, pregar pregos, sapatear em cima. Em fim, o que é seu diz respeito só a você. Ninguém pode meter o bedelho no que você faz com o que lhe pertence. Não é à toa que o nome da tal certidão de casamento chama-se na verdade (você já leu sua certidão de casamento?) Contrato Social de Casamento.

Infelizmente, no que tange a relacionamentos as pessoas tendem, à medida que o tempo passa, a perceber o companheiro(a) como posse. Como perceber? Fácil. Escute frases como: ‘este relacionamento é meu’,‘ele(a) me pertence’ ou ‘eu pertenço a fulano ou beltrano’. Típico de relacionamentos estilo posse. Conheço pessoas que continuam a ‘ter propriedade’ sobre pessoas mesmo após o término do relacionamento.‘Meu namoro terminou, mas ninguém mais pode namorar ele(a).

Uma das características básicas de relacionamentos de posse é a falsa sensação de segurança na relação. Passamos a ter uma idéia de que conhecemos inteiramente o outro e que nada pode acontecer de diferente. O outro está inteiramente sob nosso controle – segunda característica – e ficamos indignados quando nosso companheiro(a) faz coisas que fogem do nosso controle como por exemplo, chegar mais tarde, ter segredos e não querer contar pra gente. Ter amigos próprios aos quais confidencie pensamentos. O outro tem vida própria sem pedir permissão ou concordância nossa. Que horror!

Um relacionamento onde os parceiros tem ‘posse’ sobre o outro, significa que cada um tem posse não sobre uma pessoa, mas sim sobre um objeto. Logo, se o outro te pertence, você tem o direito de fazer com ele(a) o que bem desejar. Inclusive bater, quebrar, maltratar, desqualificar, etc. Todo relacionamento baseado em posse não tem sem si o respeito necessário para perpetuá-lo através do tempo.

Quando nos permitimos ser objeto de posse, temos a percepção de estarmos sendo usados com o único propósito de satisfazer os desejos do outro. Ninguém tolera sentir-se usado. A relação quebra em mil pedaços, pois ela quebra ‘por dentro’. É neste momento que começamos a desqualificar o outro. As atitudes e intenções dele(a) já não nos é suficiente.

De certa forma, aquela insegurança básica do início de um namoro é fundamental para dar vida a qualquer relacionamento. Lembra? Lembra como era bom? O coração quase saltando pela boca a fora? O fato de você não saber se o encontro daria certo? Se ele(a) iria gostar de sua família, do seu jeito de ser, de suas idéias a respeito do futuro? Lembra?

Quanto mais vocês se conheciam, mais segurança passavam a ter um com o outro. De que segurança estamos falando? De você achar que conhecia amiúde seu companheiro(a). Este falso conhecimento traz uma falsa sensação de domínio e poder sobre o sujeito. Como se você pudesse controlar as reações dele(a). Mera ilusão.

O tempo passa para todos nós. E com ele, o tempo, aprendemos mesmo que tardiamente, que jamais vamos conseguir conhecer e compreender completamente um ser humano. Mesmo que ele durma todas as noites conosco. Somos seres em eterna mutação. Todos os dias aprendemos um pouquinho mais sobre o mundo. Agora mesmo, você lendo este artigo, talvez esteja aprendendo algo mais sobre seu relacionamento. Isto por si só faz de você um ser diferente daquele de ontem. Experimente colocar uma pitadinha de sal num cafezinho. Você perceberá que uma pitadinha muito pequena de sal é suficiente para alterar o gosto do café. O ser humano funciona da mesma maneira. Pequenos aprendizados provocam grandes mudanças. 

Ninguém gosta de ser tratado o tempo todo do mesmo jeito. Imagine-se sendo tratado da mesma forma que a 10, 15 ou 30 anos atrás! Alguém te cobrando como uma criança ou um adolescente irresponsável. Não dá certo! Isto é fórmula de como fazer um relacionamento fracassar.

Em relacionamentos onde há posse, tratamos o outro como se ele fosse sempre igual. É por isso mesmo que todos os relacionamentos de posse acabam quebrando. De pronto você já não sabe mais onde a relação começou a criar fissuras que acabaram por afundar a relação.

Ouvimos desde criancinhas que o casamento é coisa muito séria. Que ao casarmos termina a diversão. Casamento, portanto, deve ser algo muito chato! Nem um pouco divertido, emocionante, alegre e amoroso. Ao casar assumimos mais deveres que direitos. Devemos isto e aquilo, e temos de cumprir os deveres sem reclamar, uma vez que ninguém nos obrigou a casar. Foi você quem quis. É o que ouvimos antes, durante e depois dos casamentos. A mesma ladainha.

O mais incrível, é que pouquíssimas pessoas perguntam-se sobre os direitos. O que são os direitos que o casamento nos reserva? Somente o sexo? E a alegria? O divertimento? Porque não pensamos sobre isto, antes de casar? Bem, isto já é tema para um novo artigo.

Procure LIBERTAR seu relacionamento!

Leonardo Barbieri Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master-Trainer em PNL



VOLTAR