Artigos - Educação, Falta de Comprometimento e Mercado de Trabalho

De tempos em tempos, as organizações se deparam com novos obstáculos criados por seus funcionários.

Já passamos pelo período do funcionário que queria ser mais dono da empresa que o próprio dono (movimentos sindicais). Do funcionário dependente de motivação (gerentes motivacionais). E assim vai. A cada década um novo paradigma a ser resolvido.

Nos dias atuais as empresas estão sendo confrontadas com um novo perfil de ‘colaborador’ (sempre achei este termo confuso): O FUNCIONÁRIO SEM COMPROMETIMENTO. Daí minha confusão sobre o conceito de colaborador: como um colaborador pode ser um funcionário SEM COMPROMETIMENTO?

Vamos lá. Entender as origens e a mecânica deste tipo de funcionário talvez nos traga uma luz de como segurar este tsunami que provoca um alto turn-over, dificuldade de desenvolver o capital intelectual, evasão de tecnologia, investimentos em treinamentos para funcionário que acabam indo trabalhar para a concorrência.

Este novo perfil de funcionário, na verdade é produto direto do modelo de educação que nossa sociedade prega. Antigamente, mesmo que a criança não tivesse o convívio direto com os pais, pois muitas vezes passavam o dia inteiro no campo ou meses em internatos, nossa sociedade tinha uma organização, uma estrutura hierárquica bem definida e rígida.

Famílias com 10 filhos, o mais novo era obrigado a obedecer o mais velho. Todos eram obrigados a ter que respeitar o professor, e caso não o fizesse as punições poderiam ser severas.

Com o passar do tempo, o número de filhos diminuiu. Vivemos numa sociedade de filhos únicos. Onde os pais pouco tempo tem de conviver com eles. Acabam determinando um estilo de educação de ‘parceria’, onde a criança é estimulada a decidir desde os primeiros anos. Mesmo sem ter maturidade emocional e psicológica para isso. Crianças não tem a noção de tempo da mesma forma que um adulto. Pois o cérebro não está preparado neurológicamente para compreender o tempo. Logo, crianças muito pouco conseguem deicidir quando se faz necessário raciocinar as consequências da decisão. É por isso que elas ainda não estão aptas para se responsabilizar sobre o resultado das escolhas.

Vivemos numa sociedade de crianças abusadas. Que MANDAM nos pais que por sua vez se sentem envergonhados diante dos filhos. Pedir por favor para um filho não é mais um gesto de educação, mas sim de súplica para que o filho, se quiser, cumpra com o que o pai está solicitando.

As empresas precisam mudar seu foco de condução destes funcionários descomprometidos, porque hoje estão se tornando a maioria. Já temos funcionários descomprometidos ocupando cargos de chefia, gerência e diretoria (dá pra acreditar?).

As empresas vão ser obrigadas a se especializarem na área da educação destes ‘colaboradores’. Educar, treinar, orientar os funcionários a se tornarem COMPROMETIDOS.

Utopia? Ao meu ver não. Porque o comprometimento faz parte do instinto de nossa espécie. É através deste comprometimento que conseguimos viver em grupo. Lembre que somos uma espécie gregária, que tem necessidade de conviver em grupo. Pois bem, se num grupo, um dos membros demonstra descomprometimento para com os demais ele é sumariamente EXCLUÍDO.

Nossos jovens tem, na verdade, comprometimento. Mas com aquilo que eles querem. E não com o que devem. O velho paradigma de direitos e deveres.

As empresas oferecerem um excelente ambiente de trabalho para desenvolver maior produção com mais qualidade e criatividade, parece ser uma prática LÓGICA. Ou seja, é lógico que toda empresa DEVE fazer isso. Proporcionar este ambiente para todos os funcionários. CONTUDO, nosso funcionário descomprometido, vai encarar isso como benefícios a serem usufruídos sem o menor constrangimento. E ao mesmo tempo sem ter que devolver para a empresa o investimento feito. Em outras palavras, usufruem dos benefícios mas não querem transformar isso em produtividade, qualidade e criatividade. E ainda reclamam que a empresa deveria oferecer mais.

Os mais jovens tem sido escolhidos para ocupar cargos, por terem mais desenvoltura no uso da tecnologia. Possuem mais afinidade por terem sido criados neste meio. Contudo, não conseguem se manter muito tempo fiéis ao emprego. Tem dificuldades de obedecer ordens, respeitar a hierarquia e baixíssima tolerância à frustração.

Nossos RH’s se tornaram em consultórios terapêuticos onde oferem apoio aos descomprometidos. Acarinhando e dando suporte as queixas. Exatamente como as mães e pais que não sabem dar limites aos próprios filhos.

Pais que foram criados sem pai e mãe ouvintes, presentes. Que sentiram muita falta de afeto. Hoje querem oferecer isso em abundância. Sem limite.

A época da idolatria a criança auto-regulada, parece ser cada vez mais uma teoria confusa. Crianças definitivamente não são autoreguladas. Elas precisam aprender a serem reguladas. Mesmo em comunidades primitivas, a organização hieráriquica se faz presente. E diga-se de passagem, quanto mais primitivas, mais rígidas as regras são para a própria sobrevivência do grupo.

O funcionário que se tornou RARIDADE, é o funcionário maduro. Tenho indicado sempre as empresas a darem preferência a profissionais acima de 40 anos por este motivo. É mais fácil encontrar profissionais comprometidos com 40, 50, 60 anos.

Em breve será um pré-requisito para funções básicas numa empresa.
Leonardo Bueno
Psicoterapeuta, Consultor e Palestrante
Master Trainer em PNL



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